"Que não seja imortal,
posto que é chama,
mas que seja infinito
enquanto dure...”
Tem gente que toma esses quatro versos de Vinícius de Moraes pra si como se fosse uma lei inabalável e indestrutível para a vida, tal como as Leis de Newton são para a Física. Tudo bem que boa parte dos seres que habitam este planeta nem conhece e nem pensa ouvir falar em Vinícius de Moraes, mas se conhecessem esses versos, com certeza concordariam instantaneamente. E quem não concordasse, entenderia, pois não concorda porque amou e se ferrou. Ou então são pessoas frias e calculistas, que não têm coração. Ou são aqueles que procuram uma explicação científica para tudo o que nos cerca, inclusive sentimentos. Mas o que são alguns cientistas malucos com cabelo pra cima no meio de 6 bilhões de pessoas? Ou melhor: o que são alguns cientistas de cabelo pra cima no próprio meio em que vivem? Porque puxa vida!, se eles estão ali é porque eles escolheram isso. E não é qualquer pessoa que destina a sua vida para estudar fenômenos surpreendentemente complexos à toa. Pra chegar ao ponto de cientista, você passa pelo ponto de “sentimento pela ciência”. E é um sentimento inexplicável. Afinal, quem desistiria de Nutrição pra se dedicar à Física?
A verdade é que a gente acaba abrindo mão de muitas coisas que nos são prazerosas para realizar nossos sonhos. Os cientistas abrem mão de vida social pra se dedicar às razões e explicações da vida real. Advogados muitas vezes abrem mão da moral e da ética para fazer um “bom trabalho”. Jogadores de futebol abrem mão de 25% das aulas (geralmente muito mais do que isso) para fazerem a torcida ficar feliz (esse exemplo não é muito feliz, mas eu estou abrindo mão do texto perfeito pra dar ênfase nesse fato que sempre me faz rir). O próprio Vinícius de Moraes abriu mão do casamento no mínimo 8 vezes para enfim encontrar a tão sonhada felicidade eterna! E sabe qual é o pior? Numa hora ou noutra, no começo, meio ou no fim, eles são felizes. Agir com maturidade e abrir mão de determinados nós da linha da vida nos levam ao pote de ouro com mais rapidez e mais facilidade.
Você, caro leitor (ou cara leitora), sabia que dizem que a Lua é parte da Terra que se desprendeu da sua casa quando um meteoro absurdo atingiu o oceano? É, pois é! Mas sendo isso lenda ou fato, a Lua tá lá no céu, branca/amarela/laranja, reinando como rainha do céu, hora em meio do azul do céu, hora em meio de súditas estrelas que todos os astrofísicos, geofísicos e outrosfísicos estudam prazerosamente. Ela está lá em cima, chamando bastante a atenção de todos que a fitam. Está lá em cima sempre servindo de plano de fundo pro amor de diversos casais ficam, que vêm e que vão, sempre assistindo às mais belas e profundas cenas. E pra ela se emocionar desse jeito, ela abriu mão daquilo que lhe deu existência para enfim ter essência.
Então, senhoras e senhores, há horas que temos dores, há bolas de festa e há horrores, há rimas estúpidas que achamos até desnecessárias. Mas se você parar pra perceber, essas rimas, mesmo que muito estranhas, indesejáveis e feias, fazem sentido em algum ponto da nossa vida. E só percebemos isso quando estamos felizes e olhamos pra trás, para todas a pedras que tivemos que pisar, para todos os momentos de crise em que acabamos chorando pela falta dos melhores beijos que alguém poderia nos dar, todas as luas que tivemos que perder. É aí que damos valor à tudo que conquistamos. E você pode ter certeza que quando chegamos nessa etapa em que damos esses últimos passos é quando tudo finalmente deixa de estar escuro e passa a ser azul bebê; deixa de ser sonho passageiro e passa a ser infinito enquanto dura.
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