Esta budega de tempo verbal que atola e ferra (pra não usar outra palavra) qualquer sentimento. Uma droga de tempo verbal que só levanta hipóteses, suposições e nunca apresenta nada concreto. Uma pedra no meio do caminho de quem quer ir e é obrigado a ficar com o queria ir. Um veneno que torna tudo muito passivo e permissivo. E também o culpado de muitas notas vermelhas em português, óbvio. O futuro do pretérito é definitivamente um câncer na nossa vida.
Queria conhecer alguém que gostasse de mim, queria que ela falasse de mim, queria até que ela curtisse as músicas que eu gosto, queria que ela desse uma chance pra mim, queria rir e chorar com ela, queria sentir cada palavra dela, queria que todos os seus desejos se realizassem, queria que fôssemos protagonistas de poesias e filmes românticos, queria rir de suas caras, queria ser carinho e servir de consolo, queria que tudo no mundo se resumisse a três palavras. Queria...
Queria poder não gostar. Queria estar isento desse sentimento pequeno o suficiente pra caber no peito e forte o suficiente pra surtir efeito na mente. Queria não ter coração pra bater acelerado em cada palavra dita por ela. Queria que às vezes ela não parecesse um anjo. Queria também que ela não parecesse uma garotinha na maioria das vezes. Na verdade (não que o resto seja mentira), queria poder ver cada candidata apenas como uma bola de festa, ou seja, uma no meio de várias, e que eu posso pegar, brincar e depois estourar quando quisesse. Queria poder não ficar arrasado a cada decepção. Queria não poder ficar sozinho na chuva, de pé e esperando. Queria ser o outro. Queria não querer pensar em ser o outro. Queria ser um mártir para todos aqueles que têm pra si os mesmo desejos que eu. Queria.
But she's the that girl does yoga.
"And the day it ends
And there's no need for me"
Damien Rice - Dogs
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